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Neste artigo
Muitos maratonistas contam que, em algum momento depois dos 30 km, as pernas pesam, o ritmo cai e a prova parece ficar muito mais difícil. Esse momento é conhecido como “bater no muro”. Veja o que se sabe sobre ele e como os corredores costumam se preparar.
O que é o “muro”
O termo descreve uma queda acentuada de energia e de rendimento na parte final da maratona. Entre os fatores frequentemente associados estão:
- redução das reservas de energia do corpo ao longo de muitas horas de esforço;
- ritmo inicial acima do que o corredor consegue sustentar;
- hidratação ou alimentação insuficientes durante a prova;
- calor e cansaço acumulado.
Nem todo corredor passa por isso, e a intensidade varia muito de pessoa para pessoa.
Como os corredores se preparam
1. Longões bem planejados
Os treinos longos ajudam o corpo e a mente a se acostumarem com muito tempo de corrida. Eles são aumentados aos poucos ao longo da preparação.
2. Ritmo controlado na largada
Começar mais devagar é uma das estratégias mais recomendadas para chegar ao fim da prova com mais energia.
3. Plano de hidratação e energia
Beber e consumir fontes de energia ao longo da prova, conforme um plano testado nos treinos e orientado por um nutricionista esportivo.
4. Alimentação nos dias anteriores
Muitos corredores ajustam a alimentação nos dias antes da prova, com orientação profissional.
5. Preparação mental
- Divida a prova em blocos menores.
- Tenha frases de incentivo para os momentos difíceis.
- Lembre-se dos treinos que você completou.
Se acontecer durante a prova
- Reduza o ritmo e, se necessário, alterne corrida e caminhada.
- Hidrate-se e consuma a energia planejada.
- Foque no próximo quilômetro.
Atenção: cansaço é esperado, mas tontura, confusão, dor no peito, falta de ar fora do comum ou mal-estar intenso são sinais para parar e procurar a equipe médica da prova.
E nas provas mais curtas?
O “muro” clássico é associado à maratona, mas o cansaço forte no final também aparece em outras distâncias, principalmente quando o corredor começa rápido demais. Em provas de rua de vários tamanhos, vi muitos corredores largarem empolgados e sofrerem nos quilômetros finais.
Por isso, as estratégias deste artigo servem para qualquer prova longa:
- Largue devagar: os primeiros quilômetros devem parecer fáceis.
- Beba água nos postos: sem esperar sentir muita sede, principalmente no calor.
- Tenha um plano de energia: em provas de mais de uma hora, muitos corredores usam gel ou outros alimentos, sempre testados nos treinos.
- Divida a prova em partes: pensar em blocos menores ajuda a cabeça.
O calor aumenta o desafio
Em provas no calor e na umidade, comuns em muitas regiões do Brasil, o corpo gasta mais energia para se manter resfriado. O esforço sobe mesmo sem aumentar o ritmo. Nesses dias, ajustar a meta de tempo e reforçar a hidratação é uma decisão inteligente. Leia também nosso artigo sobre correr no calor, no frio e na chuva.
A importância da experiência
Cada prova ensina algo. Anote como você se sentiu, o que comeu, quanto bebeu e em que ritmo largou. Essas informações ajudam a planejar melhor as próximas provas e a evitar os mesmos erros.
Como treinar a cabeça para os quilômetros finais
- Visualize a prova: nos dias anteriores, imagine os momentos difíceis e como você vai reagir a eles.
- Tenha frases de apoio: palavras simples, repetidas mentalmente, ajudam a manter o foco.
- Lembre-se do motivo: por quem você está correndo, o que aquela prova significa.
- Use o público: a torcida nas ruas dá um ânimo enorme nos quilômetros finais.
Nada disso substitui um bom treinamento, mas uma cabeça preparada ajuda a atravessar os momentos difíceis com mais calma.
Resumo
- O “muro” é uma queda de energia na parte final da maratona.
- Longões, ritmo controlado e plano de hidratação e energia são as principais estratégias.
- Respeite sempre os sinais de alerta do corpo.
Perguntas frequentes
Todo maratonista bate no muro?
Não. Muitos corredores terminam sem essa experiência, principalmente com boa preparação e ritmo controlado.
Acontece em meias maratonas?
É menos comum, mas o cansaço forte na parte final também pode aparecer em outras distâncias.
Os géis de carboidrato são obrigatórios?
Não. Alguns corredores preferem outras opções, como frutas secas ou bebidas esportivas. O importante é ter um plano testado nos treinos e orientado por um nutricionista.
Treinar em jejum ajuda a evitar o muro?
Não há uma recomendação geral para isso, e treinos em jejum podem não ser indicados para muitas pessoas. Qualquer estratégia desse tipo deve ser discutida com médico e nutricionista.
O muro pode acontecer em treinos?
Pode, principalmente em longões feitos em ritmo forte ou sem alimentação adequada. Isso é um sinal para rever o planejamento com o treinador.
Para saber mais: fontes oficiais
- Ministério da Saúde: Guia de Atividade Física para a População Brasileira (2021)
- Organização Mundial da Saúde (OMS): Atividade física
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de médicos, nutricionistas e educadores físicos. Leia também nosso Aviso Legal.
Leia também: Hidratação e reposição durante a maratona.
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Sobre o autor: Mauricio Bezerra de Sousa
Corredor há 21 anos, já correu provas de norte a sul do Brasil: várias meias maratonas de 21 km, duas maratonas de 42 km (entre elas a Maratona Internacional de Porto Alegre, em 2026), a 100ª São Silvestre e corridas de rua no Pará. Escreve sobre corrida, maratona e alimentação saudável a partir da própria experiência. Não é médico, nutricionista nem educador físico: os conteúdos são informativos e não substituem a orientação de um profissional.
Conheça o autor · Minhas corridas · Última revisão: setembro de 2026